Ruínas de Hethaenan, localização desconhecida.
Em um vale
sereno perdida em meio a uma cordilheira, árvores espaçadas dão vida ao local
em conjunto com o gramado verdejante. Uma lagoa beija suavemente o sopé de uma
das montanhas e ali repousa Hethaenan, memórias de outrora gloriosa fortaleza,
agora ruínas a serem reconquistadas pela vegetação local. Seu portão, em arco
de pedras talhadas e bem trabalhadas, com grades enferrujadas, agora se recusa
a ofertar abrigo e proteção, constantemente fechado por falta de manutenção. A
muralha se estende quase um quilômetro, antes de, em seu ponto mais a leste,
dobrar e seguir de encontro a montanha, enquanto à oeste seu término abrupto
arqueia sobre o corpo d’água, até novamente se fazer inteira, penetrando
parcialmente as partes rasas da lagoa e seguindo, também, para se completar na
montanha. Suas torres de vigia, apenas vislumbres de um passado perdido,
assemelham-se ao estado da própria muralha. Para dentro de seu muro decadente,
um enorme pátio de chão de pedras abriga um simplório estábulo, uma arena de
terra cercada, alguns objetos para treinamento como manequins armadurados,
alvos para prática de arco-e-flecha e diversos objetos mais. Aproximando-se da
construção principal, um par de escadas envolvem um terraço com uma estátua em
ruínas com uma placa onde se lê: “O escudo do nosso povo é forte, sua espada é
precisa e seu sangue derramado jamais esquecido”.
A construção principal,
um castelete de mesmo material da muralha com portões destoantes de sua idade,
sinalizando ter sido feito por novos habitantes da localidade, está em
condições ainda mais deploráveis. Um vasto e alto saguão, outrora uma sala do
trono, agora transformado em um refeitório com cozinha, um espaço destinado a
entretenimento e diversas lareiras. Em uma de suas paredes decadentes, diversos
troféus de cabeças, dos mais variados monstros, estão expostos, todas com
placas dos triunfantes caçadores. No lado oposto, armas, crânios e outras
partes a representar os monstros ditos civilizados se fazem presente. Ao centro
do saguão, numa elevação, está um trono aos pedaços e, fincado entre seus
destroços, um estandarte preto com bordas douradas e uma meia-lua minguante ao
seu centro. Por detrás, duas largas escadarias se dividem, onde a direita
ascende em direção ao andar superior e a da esquerda ingressa ao chão em
direção as celas do calabouço.
O segundo piso do
castelo possui dezenas de pequenos cômodos, em especial uma vasta biblioteca e
uma equipada área laboratorial de alquimia. Os demais são, em sua maioria,
quartos comunitários desocupados, banheiros e um terraço enorme circundando
todos os ambientes. Os quartos possuem em torno de cinco beliches cada, com um
baú ao pé de cada um destes e uma lareira. Os banheiros, três no total, possuem
banheiras de madeira e um balde para aliviar as necessidades. Contudo, o espaço
de todos os cômodos não coincide com o que deveria ser a área completa. Isto é
por um cômodo secreto, de acesso pela livraria e pelo laboratório, sem teto,
com um grandioso altar em pedra, prata e pedras preciosas com uma estátua de
meia lua crescente e uma menor no meio repousando majestosamente. Aos pés do
altar, diversos amuletos, orbes e cristais emitindo luzes brancas intensas.
Inscrito em uma língua antiga, lê-se no altar: “A essência da vida retorna à
noite para se fazer dia novamente”.
Já no subterrâneo, onde
o antigo calabouço se localizava, a lamúria de outrora se mistura com os
horrores praticados pelo presente em nome de um bem maior. Para além das
máquinas de tortura e de aprisionamento, o cômodo mais sinistro é o do rito de
passagem. Com uma mesa de madeira grossa e densa, com grilhões para os membros,
é neste lugar onde jovens se transformam em protetores através de rituais
envolvendo sangue, arcana e misturas alquímicas a modificar o corpo do
iniciado, porém nem todos são aqueles que saem daquela sala com vida. Apenas os
mais preparados, com maior resiliência, escapam com vida, mas não sem
cicatrizes eternas em seus corpos e mentes. Todavia, não sem antes carregarem
consigo o peso de todos os que passaram e passarão por ali, como as palavras
proferidas antes do início do ritual: “Nós sacrificamos nossos corpos, nossas
mentes, nossos nomes, para sermos esquecidos pelo mundo. Somos as sombras da
lua a permitir o sono dos inocentes. Este é o dever”.
Ruínas de Hethaenan, localização desconhecida.
Em um vale
sereno perdida em meio a uma cordilheira, árvores espaçadas dão vida ao local
em conjunto com o gramado verdejante. Uma lagoa beija suavemente o sopé de uma
das montanhas e ali repousa Hethaenan, memórias de outrora gloriosa fortaleza,
agora ruínas a serem reconquistadas pela vegetação local. Seu portão, em arco
de pedras talhadas e bem trabalhadas, com grades enferrujadas, agora se recusa
a ofertar abrigo e proteção, constantemente fechado por falta de manutenção. A
muralha se estende quase um quilômetro, antes de, em seu ponto mais a leste,
dobrar e seguir de encontro a montanha, enquanto à oeste seu término abrupto
arqueia sobre o corpo d’água, até novamente se fazer inteira, penetrando
parcialmente as partes rasas da lagoa e seguindo, também, para se completar na
montanha. Suas torres de vigia, apenas vislumbres de um passado perdido,
assemelham-se ao estado da própria muralha. Para dentro de seu muro decadente,
um enorme pátio de chão de pedras abriga um simplório estábulo, uma arena de
terra cercada, alguns objetos para treinamento como manequins armadurados,
alvos para prática de arco-e-flecha e diversos objetos mais. Aproximando-se da
construção principal, um par de escadas envolvem um terraço com uma estátua em
ruínas com uma placa onde se lê: “O escudo do nosso povo é forte, sua espada é
precisa e seu sangue derramado jamais esquecido”.
A construção principal,
um castelete de mesmo material da muralha com portões destoantes de sua idade,
sinalizando ter sido feito por novos habitantes da localidade, está em
condições ainda mais deploráveis. Um vasto e alto saguão, outrora uma sala do
trono, agora transformado em um refeitório com cozinha, um espaço destinado a
entretenimento e diversas lareiras. Em uma de suas paredes decadentes, diversos
troféus de cabeças, dos mais variados monstros, estão expostos, todas com
placas dos triunfantes caçadores. No lado oposto, armas, crânios e outras
partes a representar os monstros ditos civilizados se fazem presente. Ao centro
do saguão, numa elevação, está um trono aos pedaços e, fincado entre seus
destroços, um estandarte preto com bordas douradas e uma meia-lua minguante ao
seu centro. Por detrás, duas largas escadarias se dividem, onde a direita
ascende em direção ao andar superior e a da esquerda ingressa ao chão em
direção as celas do calabouço.
O segundo piso do
castelo possui dezenas de pequenos cômodos, em especial uma vasta biblioteca e
uma equipada área laboratorial de alquimia. Os demais são, em sua maioria,
quartos comunitários desocupados, banheiros e um terraço enorme circundando
todos os ambientes. Os quartos possuem em torno de cinco beliches cada, com um
baú ao pé de cada um destes e uma lareira. Os banheiros, três no total, possuem
banheiras de madeira e um balde para aliviar as necessidades. Contudo, o espaço
de todos os cômodos não coincide com o que deveria ser a área completa. Isto é
por um cômodo secreto, de acesso pela livraria e pelo laboratório, sem teto,
com um grandioso altar em pedra, prata e pedras preciosas com uma estátua de
meia lua crescente e uma menor no meio repousando majestosamente. Aos pés do
altar, diversos amuletos, orbes e cristais emitindo luzes brancas intensas.
Inscrito em uma língua antiga, lê-se no altar: “A essência da vida retorna à
noite para se fazer dia novamente”.
Já no subterrâneo, onde
o antigo calabouço se localizava, a lamúria de outrora se mistura com os
horrores praticados pelo presente em nome de um bem maior. Para além das
máquinas de tortura e de aprisionamento, o cômodo mais sinistro é o do rito de
passagem. Com uma mesa de madeira grossa e densa, com grilhões para os membros,
é neste lugar onde jovens se transformam em protetores através de rituais
envolvendo sangue, arcana e misturas alquímicas a modificar o corpo do
iniciado, porém nem todos são aqueles que saem daquela sala com vida. Apenas os
mais preparados, com maior resiliência, escapam com vida, mas não sem
cicatrizes eternas em seus corpos e mentes. Todavia, não sem antes carregarem
consigo o peso de todos os que passaram e passarão por ali, como as palavras
proferidas antes do início do ritual: “Nós sacrificamos nossos corpos, nossas
mentes, nossos nomes, para sermos esquecidos pelo mundo. Somos as sombras da
lua a permitir o sono dos inocentes. Este é o dever”.
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