Sabe o sabor amargo da ironia quando
você respira profundamente e ri, desesperadamente, sabendo que seu salvador
morreu das causas que você deveria ter morrido? O que se pode falar quando seu
herói vai embora, comete suicídio, se vai pelo mesmo sufocamento conhecido por
você? Você sente raiva, a dor rasga-te por dentro, controla cada passo seu e a
chuva parece recursar-se a lavar suas feridas. Não, como derramar álcool nelas,
a tempestade queima tua pele como fogo vivo, te fazem gritar em silêncio, em
latência a consumir cada pensamento teu sem te permitir o alívio da morte.
Chester Bennington foi meu herói de
infância, meu ídolo, me carregou com sua voz em conjunto com seus companheiros
de banda. Ele se foi numa tarde chuvosa na minha cidade natal, sem mais, sem
menos. Eu gostaria de ter mais palavras para descrevê-lo, eu gostaria de esta
ser a minha mais bela crônica. Eu escrevi para sentimentos a me segurarem pela
mão, escrevi para minhas cicatrizes, com lágrimas nos olhos, com ódio em cada
palavra, mas aqui, para Chester, o que eu posso dizer? O que dizer para uma
pessoa que te salvou diversas vezes dos pensamentos nefastos da depressão e da
ansiedade? O que dizer ao homem que te salvou de si mesmo quando o mundo parecia
dar as costas para mim? Não, foda-se, isto não é sobre mim, sobre minhas
experiências de vida e ligação com a banda. Isto é uma carta de adeus para meu
ídolo e, para tanto, palavras faltam, meus olhos estão cansados, minha cabeça
confusa e caótica, como sempre.
Eu te amo, Chester, obrigado por ser
meu herói enquanto você pode aguentar a vida. Suas palavras me fizeram seguir
em frente, não será diferente agora.
Até o meu fim, sempre repetirei: "Adeus."

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