O que há de felicidade para ser
conquistada? Talvez orgulho próprio, sucesso social, cultural, emocional,
qualquer um que te venderam ainda jovem para você buscar incessantemente,
trilhar uma jornada estressante sobre equilibrar um graveto na ponta do seu
nariz enquanto se pratica malabarismo e algumas embaixadinhas? Você toma banho
e tem uma ideia extraordinária apenas para a mesma ser soterrada pela falta de
espaço para genialidade na sua corrida cotidiana de ansiedade, medo,
compromisso. O que é genial, afinal? Nada além de alguém que conseguiu quebrar
a barreira do socialmente imposto para exercer sua potência de ser, de existir,
de contribuir.
“Minha
psiquiatra uma vez falou que grande parte dos pacientes dela estavam envolvidos
com arte de alguma forma. E ela queria estudar mais para saber se artistas são
mais suscetíveis a doenças como ansiedade e depressão. Nunca havia pensado
nisso, mas faz sentido.”. Intelectuais, de maneira geral, são mais “sucetíveis”,
mas eu não diria suscetível, até porque escrevi errado primeiro. Acho que um
estudo interessante é relacionar essas psicopatologias com esse surgimento de
inspiração e genialidade e do que vem primeiro, o ovo ou a galinha. O ovo, evolução
nos provou isso, mas enfim. existe uma certa ligação entre comportamento
depressivo por conta do grande fardo da intelectualidade e de como você a
exerce. Elas, as psicopatologias, são bastante comuns em grandes artistas ou
pessoas ligadas a humanidades em geral por conta do peso enorme que é
compreender o ser humano em sua essência.
Eu
gostaria de entender a ligação completa entre psicopatologias e o
desenvolvimento de habilidades artísticas/cognitivas. Quando eu comecei a me
entender com comportamentos isolacionistas, lidar com ansiedade e me ver como
um pária da sociedade foi quando eu dei uma completa mudada na minha
intelectualidade e isso desenvolveu em mim minha habilidade enquanto escritor.
Eu era muito estúpido quando mais jovem, até os 14, 15 anos. Era um dos meninos
mais estúpidos do meu grupo e diria até do colégio. Sim, mediocremente sendo
uma criança, como todas as demais, tentando me inserir socialmente sem o menor
interesse em ciência. Todavia, foi a partir desse desenvolvimento e de me sentir
um desajustado, junto a minha criação com leitura e de jogos que houve uma
maturação associada aos problemas psiquiátricos. Acredito que a doença talvez
tenha impulsionado esse quadro dentro de mim. Eu sempre fui muito criativo, mas
eu acho que encontrar o foco dessa criatividade e desenvolvê-la e associá-la a
ciência, a habilidade cognitiva como eu tenho hoje.
Eu não sou modesto, detesto essa falsa humildade vomitada
pelas pessoas numa tentativa de serem socialmente agradáveis por subjugar suas
capacidades e exaltar suas falhas, porém você sabe disso, mas quem me conhece
hoje não consegue imaginar que eu tenha sido alguém estúpido e de pouca
capacidade cognitiva ou, se muito, limitada. Isso se desenvolveu em mim no meu
ensino médio, eu fui aos poucos me tornando o artista que gostaria de ser e eu
acho que a dificuldade de socialização que me causou esses problemas
diagnosticados tenha, de alguma forma, dado intensidade a essa transformação. Então,
ao invés de um sonho infantil de ser escritor, eu realmente mergulhei na arte
até o ponto de ser realmente bom nisso, realmente bom com palavras. Ao invés de
ser somente uma pessoa esforçada acumulando conhecimento como um acadêmico
comum, eu me tornei um filósofo no sentido primordial da palavra, alguém que é apaixonado
por ciência em todas as suas formas, uma pessoa que busca incessantemente
respostas para perguntas e mais perguntas. Então eu acredito que as doenças
psíquicas não estejam diretamente associadas à artistas e gênios, mas elas se
tornam consequência e impulsionam esses talentos brutos a serem lapidados ao
extremo, como o carbono, quando colocado sob pressão absurda, torna-se diamante.
de 22 de abril de 2018.
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